Dermatoscopia auxilia na detecção precoce do câncer de pele

11/08/2015

A quantidade de novos casos de melanoma tem aumentado progressivamente no mundo inteiro e o Brasil é tradicionalmente conhecido por seus altos índices de câncer da pele – uma média de 200 mil casos estimados para 2015. Um dos mais agressivos é o melanoma cutâneo, que tem seu risco diretamente relacionado à profundidade que alcança na pele no momento de seu diagnóstico. Uma forma de detecção precoce é a dermatoscopia – técnica em que os sinais são analisados usando uma lente acoplada a um emissor de luz. Neste exame é possível uma avaliação estrutural dos sinais existentes, direcionando quais deles devem ser retirados para análise em laboratório.

Médico dermatologista do Hospital Mãe de Deus, o Dr. Fabiano S. Pacheco afirma que em algumas situações, é utilizada ainda a dermatoscopia digital, método que permite armazenamento de imagens para fins comparativos, permitindo a visualização de pequenas modificações durante o acompanhamento geralmente anual do paciente e determinando de modo ainda mais preciso a indicação de retirada de um sinal. Tal exame tem sua indicação principal para pacientes que tiveram melanoma cutâneo anteriormente, aqueles com sinais irregulares em grande quantidade e ainda aqueles com história de familiares com a doença.

Ele relata que, em recente evento internacional de dermatologia, em Viena, estudos mostraram que os melanomas surgidos de sinais preexistentes constituem minoria. Desta forma, a maior parte desses tumores já aparecem no paciente como sendo um melanoma, inicialmente muito pequenos e superficiais, mas evoluindo progressivamente e de forma mais evidente. Por isto, a dermatoscopia digital costuma ser acompanhada do mapeamento de sinais, que permite detectar o surgimento de novos sinais na pele do paciente, durante seu acompanhamento habitual.

Embora seja um importante instrumento para detecção precoce de melanomas, o Dr Fabiano alerta que no Brasil, apenas uma pequena parcela dos pacientes tem acesso a tais exames, muitas vezes por desconhecimento ou por não serem orientados por seu médico a realizar o exame, outras vezes por limitação de seus convênios (que tradicionalmente não tem cobertura para eles).

“É importante ressaltar que grandes hospitais permitem o acesso de pacientes do SUS a estes exames, dentro de sua disponibilidade, que é limitada”, acrescenta.

Na opinião do dermatologista, considerando o aumento dos casos de melanoma e sua gravidade, associados ao custo alto de seu tratamento, tornam-se imperativas políticas públicas que facilitem o acesso dos pacientes a tais exames. “Se entendermos que tais exames não trazem risco, necessitando apenas de equipamento e profissional habilitado, e focarmos mais na prevenção e detecção precoce de grave doença, talvez vejamos um declínio destes índices progressivos nos próximos anos em nosso país,” conclui Pacheco.

Hoje, existe inclusive um dermatoscopio (foto) que pode ser acoplado a um celular iPhone ou iPad. Mas atenção, ele somente tem usabilidade para médicos dermatologistas, já que a somenteespecialistas conseguem entender e diagnosticar de forma segura as “manchas” na pele.

 

Fonte:  Setor Saúde.com.br