Bonebridge: o primeiro implante ativo de condução óssea está disponível no SUS

11/08/2015

Brasileiros portadores de deficiência auditiva podem ter acesso gratuito à tecnologia de última geração no Sistema Único de Saúde (SUS). Foi aprovada pelo Ministério da Saúde (MS) a cirurgia do Bonebridge, o primeiro implante de condução óssea ativo do mundo desenvolvido pela austríaca Med-El, empresa líder no mercado de soluções auditivas implantáveis em todos os continentes. A tecnologia Bonebridge ajuda pessoas com perda auditiva condutiva e mista que não possuem benefícios com os aparelhos auditivos convencionais, assim como pacientes que têm perda auditiva de um ouvido só (perda unilateral).

Para realizar o tratamento com Bonebridge, o paciente necessita passar pela avaliação médica em um dos 28 centros credenciados pelo Ministério da Saúdee que estão localizados em diversas cidades por todo o País, uma outra boa notícia para os pacientes é a portaria 2.776, que trouxe um grande avanço para o tratamento cirúrgico da perda auditiva, ampliando o orçamento para cerca de R$ 70 milhões em 2015.

O Bonebridge é um sistema de implante de condução óssea inovador formado por duas partes: o implante e o processador. O primeirofica situado no osso atrás da orelha de forma  invisível sob a pele, mantendo a mesma íntegra  e minimizando possíveis complicações. 

Já a segunda parte é o  processador de áudio externo usado por trás da orelha. Ele é mantido diretamente em cima do implante, por meio de atração magnética e, portanto, pode ser colocado de forma discreta e confortável por baixo do cabelo. Em harmonia com a estrutura auditiva do paciente, as ondas sonoras são transmitidas via estimulação transcutânea para o implante, que as conduz ativamente fazendo com que o osso vibre e, posteriormente, essa vibração vai para o ouvido interno onde é processado como som.

De acordo com o Marcela Stefanini, fonoaudióloga pela Universidade de São Paulo e especialista em Audiologia Clínica e Educacional da Med-El, somente após a análise da equipe médica, o paciente saberá qual a sua necessidade e será recomendada a cirurgia para a colocação do implante de condução óssea.“Em caso positivo, a cirurgia é um procedimento rápido e simples, que normalmente dura entre meia e uma hora. Além disso, mantém a pele intacta, sem perfuração, evitando possíveis reações causadas pelo atrito com a pele. Não são necessárias intervenções cirúrgicas posteriores, o que consiste num importante benefício para o paciente ”, reforça.

Um outro diferencial é que o dispositivo pode ser ativado entre duas e quatro semanas depois da cirurgia. A ativação é realizada por meio da programação do processador de áudio de acordo com as necessidades individuais do usuário. Com aparelhos de outras marcas, os pacientes chegam a esperar até três meses após a cirurgia para ativar o dispositivo.

Você sabe como funciona a audição?

Primeiro, o som é captado pelo ouvido e transmitido por meio do canal auditivo para o tímpano. Por sua vez, o tímpano converte o som recebido em vibrações que movimentam a cadeia ossicular e transmitem a estimulação acústica para a cóclea. O fluído coclear é colocado em movimento e estimula as células ciliadas. A partir daí, geram sinais elétricos que são transmitidos pelo nervo auditivo para o cérebro e esse impulso cerebral é interpretado como som.

O ouvido humano está dividido em três partes:

1.      Ouvido externo formado pelas partes visíveis do ouvido e do canal auditivo.

2.      Ouvido médio, que consiste principalmente no tímpano e nos três ossículos que formam a cadeia ossicular.

3.      Ouvido interno é o órgão da audição propriamente dito e chama-se cóclea.

Tipos de perda auditiva

Perda auditiva condutiva: é muitas vezes causada por malformações do ouvido ou por infecções graves no ouvido médio.

Perda auditiva sensorioneural: ocorre quando há falta ou danos das células ciliadas da cóclea ou em outra estrutura coclear.

Perda auditiva mista: é a combinação da perda auditiva sensorioneural e condutiva.

Perda auditiva  unilateral: caracteriza-se pela perda da função auditiva de um lado. Apesar dos pacientes ouvirem com o outro ouvido, continuam tendo dificuldades em ouvir a conversa do lado comprometido, em entender o discurso nos ambientes ruidosos e localizar de onde vem o som.

Fonte:  Portal da Enfermagem