Câncer de ovário e endométrio serão diagnosticados por exame citopatológico

16/01/2013

O exame citopatológico de colo de útero, popularmente conhecido como Papanicolaou, é utilizado, atualmente, como forma de diagnóstico precoce do câncer do colo do útero e demais vulvovaginites, mas um estudo recente aponta que esse teste também pode ser útil na identificação de cânceres provenientes de ovário e do corpo do útero.

 
A pesquisa, publicada na revista científica "Science Translational Medicine", aponta que médicos americanos - da Universidade de Johns Hopkins, do Instituto Ludwig e do centro Memorial Sloan-Kattering - e profissionais brasileiros do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), fizeram o sequenciamento de DNA de células colhidas no exame citopatológico e obtiveram 100% de sucesso ao testá-lo para câncer de endométrio e 41% de sucesso para câncer ovariano, não existindo resultado falso-positivo.
 
O exame, hoje, é realizado via análise da aparência das células para detectar câncer de colo de útero, provocado pelo vírus HPV – principal causador da doença.
 
O novo método proposto pelos cientistas (o PapGene), não modifica o procedimento do exame atual, ele agrega a análise genética molecular em células do ovário e do corpo do útero, as quais são conduzidas para a região onde o material de análise é coletado.
 
A professora da Universidade de São Paulo (USP), também pesquisadora e uma das autoras do estudo do ICESP, Suely Nagahashi Marie, afirma que a pesquisa foi de extrema importância, visto que é possível identificar alterações moleculares através do exame de rotina e realizar o diagnóstico precoce de outros tipos de câncer.
 
A pesquisa
 
Foram compiladas, na primeira fase do projeto, biópsias tumorais de mulheres tanto americanas, quanto brasileiras. Os preventivos foram submetidos a um sequenciamento de DNA que, ao ser comparado com o código genético de células normais, apresentou 12 genes mutantes, indicando assim, a incidência de tumores.
 
A segunda fase contou com a análise genética na coleta do papanicolaou, indicando 24 das 24 amostras de câncer de endométrio e 9 das 22 amostras de tumor de ovário.
 
Para Jesus Paula Carvalho, professor da USP, pesquisador e autor do estudo pelo Icesp, o câncer ovariano é muito agressivo e de difícil diagnóstico, sendo que normalmente é identificado em estágio avançado, “[...] os métodos de rastreamento atuais, como as biópsias, são invasivos e trazem mais riscos do que benefícios".
 
O autor completa afirmando que o PapGene ainda está em fase de aperfeiçoamento, mas que pode ser um eficiente instrumento para o tratamento precoce dos cânceres.
 
A iniciativa também poderá ser utilizada para diagnosticar câncer de boca, de pulmão, de estômago e intestino, segundo os especialistas.
 
Emmanuel Dias-Neto, pesquisador do Hospital A. C. Camargo, diz que "em cinco anos tais técnicas estarão tão baratas a ponto de poderem ser agregadas ao SUS" e poderão ser usadas na população de modo preventivo, tanto para identificação precoce como para controle de recidivas.